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Alice no País das Maravilhas completou 150 anos

Assuntos: Arte e Cultura, , , , , Data: 4 de dezembro de 2015 - 09:37 Autor: Regina do Couto Visualizações: 4519.
Alice no País das Maravilhas - Jardim das Flores Vivas - T. Burton (2010)
Alice no País das Maravilhas – Jardim das Flores Vivas – Tim Burton (2010)

Um clássico que virou a literatura infantil de cabeça para baixo.

Alice no País das Maravilhas - Alice Lidell (1857)
Alice Lidell (1857)

Charles Lutwidge Dodgson era o nome real de Lewis Caroll. Matemático, fotógrafo, desenhista, mágico, professor e contador de estórias, navegava pelo Rio Isis, afluente do Tâmisa, entre Oxford e Gogstow com o amigo, Reverendo Canon Duckworth e as meninas Alice, Lorina e Edith Liddell, durante verão de 1862, quando criou As Aventuras de Alice no País das Maravilhas.

Alice no País das Maravilhas foi publicado em 1865 e Através do Espelho, 1871, em plena Inglaterra vitoriana, marcada pela rigidez dos valores, pela moral absoluta e pelo puritanismo. São trabalhos que desafiam seu próprio escopo e o status quo, extrapolando os limites da forma literária, explorando espaço, tempo, lógica e psicologia.

A primeira edição da Mcmillan foi recolhida e queimada pelo ilustrador, John Tenniel, que não aprovou a qualidade da impressão. A segunda edição rendeu ao autor um processo contra a moral e os bons costumes e outro por escrever um livro incompreensível.

Polêmicas a parte, as obras de Carroll estão eternamente presentes nos espaços das artes, teatro, cinema, literatura e fotografia, pela sua contínua relevância na psicologia, tanto como ciência aplicada, quanto formal.

Como referências à explicação de conceitos e teorias importantes, os trabalhos acadêmicos sobre os livros de Alice são cada vez menos determinantes do contexto da fantasia do país das maravilhas e mais explanatórios dos fenômenos tangíveis da nossa realidade.

Traduzidos em 174 idiomas, o conteúdo cômico e filosófico, a subversão da lógica e do uso da língua nos livros de Alice tornaram essas obras extraordinariamente pertinentes e atemporais.

A psicanalista Maria Ely Silva Camargo nos diz que “a psicanálise tem estudos muitos interessantes sobre “Alice” e o seu criador, de rico imaginário, e escrita fantástica. Só um profundo conhecedor do universo infantil das meninas poderia criar uma aventura dessa. (…) Uma menina contestadora, que sabe dizer não.

E nos apresenta a homenagem de Lacan a Lewis Caroll, de 1966 (áudio em francês da France Culture – Alice sur le Divan de Lacan).

Para os psicanalistas Mário e Diana Corso, “o que nos maravilha em Alice” é que Caroll, “grande apreciador de charadas e jogos de palavras”, “construiu um portal de acesso à lógica do inconsciente”, na linguagem onírica das aventuras, “brincando com múltiplas interpretações” de palavras, “exercitando-se na lógica infantil”.

Alice no País das Maravilhas - diálogo com Humpty Dumpty
Alice no País das Maravilhas – diálogo com Humpty Dumpty

Em 2015, com 7.609 edições publicadas, Alice no País das Maravilhas é considerado um dos livros mais conhecidos do mundo, depois da Bíblia, do Alcorão e de Shakespeare.

Contada e recontada em edições e versões variadas, no cinema, no teatro, em livros e desenhos, parece impossível esgotar as possibilidades de interpretação de Alice.

A fotógrafa Elena Kalis, criou uma versão subaquática para o livro. Um ensaio fotográfico com a filha, “Alice Underwater” (Alice Debaixo d’Água).

O ilustrador e cineasta italiano Stefano Bessoni acabou de relançar seu livro, Alice Sotto Terra (Alice Subterrânea) em homenagem aos 150 anos de aniversário deste maravilhoso mito literário. Assista ao booktrailer de Alice Underground (Alice Sotto Terra em inglês).

Clique nas imagens para ampliar.

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